da cólera ao silêncio

"(...) Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta (...)" Caio Fernando Abreu

domenica, luglio 05, 2009

"Eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti.
Só há uma coisa que me separa de você: o ar entre nós dois. Às vezes para ultrapassar esse quase cruel afastamento, eu respiro na tua boca que então me respira e eu te respiro. Mas só por um único instante, senão sufocaríamo-nos: seria o castigo que se recebe quando um tenta ser outro."
Clarice Lispector



 
sabato, luglio 04, 2009
"Os lábios da garrafa são como os da mulher: só valem beijos enquanto o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa de lava." Álvares de Azevedo

 
venerdì, luglio 03, 2009

"Como numa orgia, como num vício, como numa tara, como num inconfessável ritual sadomasoquista, ela entregava-se aos blues amargos, cafés fortes, tabacos lentos... Ainda à procura da grande história."
Caio Fernando Abreu

* de grandes brincadeiras, há!



 
giovedì, luglio 02, 2009
"Fechou os olhos e ficou invisível." Tony Monti

 
mercoledì, luglio 01, 2009

faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os punhos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranquilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.


Clarice Lispector



 
martedì, giugno 30, 2009

Roberta
Peppino di Capri


Lo sai non è vero
Che non ti voglio più
Lo so non mi credi
Non hai fiducia in me
Roberta, ascoltami
Ritorna, ancor' ti prego
Con te, ogni instante
Era felicità
Ma io non capivo
Non t'ho saputo amar'
Roberta, perdonami
Ritorna ancor', vicino a me
Roberta, ascoltami
Ritorna, ancor' ti prego
Con te ogni instante
Era felicità
Ma io non capivo
Non t'ho saputo amar'
Ascoltami, perdonami
Ritorna ancor', vicino a me



 
lunedì, giugno 29, 2009
o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã
Zemaria Pinto

 
domenica, giugno 28, 2009
"O amor não deixa sobreviventes." Nelson Rodrigues

 
giovedì, giugno 25, 2009

"A poesia seria cúmplice, desde o início, desse sentimento que se chama amor. Eu acho que é uma coisa perfeitamente lógica, natural, porque a poesia, se vocês olharem bem, ela é o amor entre os sons e os sentimentos. Ela já é na sua substância, intrinsecamente, ela já é amor, já é aproximação, no sentido que é amor entre os sons e os sentidos, num sentido que a prosa não é. É por isso que a poesia não morre. Por que essa coisa tão inútil que não consegue sequer se transformar decentemente em mercadoria num mundo mercatório, esse mundo em que vivemos? Qualquer editor principiante sabe: poesia não vende. Existe esse hiato, realmente poesia não vende, e é bom que não venda! Sabe aqueles que reclamam dizendo, é um absurdo, um país como o nosso, não sei o quê, tchê, tchê, pá, pá, e poesia não vende. Vamos nos rejubilar. Poesia não vende. Poesia é ato de amor entre o poeta e a linguagem. E esse é um território como se fosse assim uma reserva ecológica do mercado em que vivemos que resiste ao fato de se transformar em mercadoria. Não é uma infelicidade e nenhuma inferioridade da poesia escrita, falando da poesia escrita, da poesia, escrita, da poesia livro, a dificuldade dela em se transformar em mercadoria é uma grandeza. Quem não entender isso não entende a verdadeira natureza da poesia, ela é feita de uma substância que é, basicamente, rebelde à transformação em mercadoria. A gente pode criar um mundo assim, um império total da mercadoria, tudo pode ser vendido, coisas, sensações, as coisas mais incríveis, os momentos mais emocionantes. Uma coisa, porém, não pode ser transformada em mercadoria, que é o amor. Amor é dado de graça, alguém pode comprar amor? Pode-se comprar o sexo de outra pessoa, mas o amor a gente sabe que é o último reduto que resiste à transformação em mercadoria.”

Paulo Leminski



 
mercoledì, giugno 24, 2009
"Nasci para amar os outros – diria ela – e para escrever. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca." Clarice Lispector

 
venerdì, giugno 19, 2009

O amor não

 

o amor não

ouve

 

o amor não

age

 

O amor

não.

Orides Fontela



 
giovedì, giugno 18, 2009
"... amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? pois é a coisa última que se pode dar de si..." Clarice Lispector, in Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

 
domenica, giugno 14, 2009
"the only chance of renovation is to open our eyes and see the mess."
beckett


 
sabato, giugno 13, 2009
"O coração tem bordas estreitas..."
Emily Dickinson

 
venerdì, giugno 12, 2009

"Tira-me a luz dos olhos - continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos - continuarei a ouvir-te
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.
Arranca-me os braços e tocar-te-ei com o meu coração como se fora com as mãos...
Despedaça-me o coração - e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira,
Continuarei a trazer-te no meu sangue."

Rainer Maria Rilke



 
martedì, giugno 09, 2009
"Por outro lado, estou hoje um pouco cansada e é sobre o prazer do cansaço dolorido que vou falar. Todo prazer intenso toca no limiar da dor. Isso é bom. O sono, quando vem, é como um leve desmaio, um desmaio de amor.
Morrer deve ser assim: por algum motivo estar-se tão cansado que só o sono da morte compensa. Morrer às vezes parece um egoísmo. Mas quem morre às vezes precisa muito.
Será que morrer é o último prazer terreno?"
Clarice Lispector

 
lunedì, giugno 08, 2009

O ameaçado
Jorge Luis Borges

É o amor. Terei de me esconder ou de fugir.
Crescem as paredes da sua prisão, como num sonho atroz.
A bela máscara mudou, mas como sempre é a única.
De que me servirão os meus talismãs: o exercício das letras, a vaga erudição, a aprendizagem das palavras que o agreste Norte usou para cantar os seus mares e as suas espadas, a serena amizade, os corredores da Biblioteca, as coisas vulgares, os
hábitos, o jovem amor da minha mãe, a sombra militar dos
meus mortos, a noite intemporal, o sabor do sonho?
Estar contigo ou não estar contigo é a medida do meu tempo.
O cântaro já se quebra na fonte, o homem já se levanta à voz das aves, os que olham pelas janelas já se escureceram, mas a sombra não trouxe a paz.
É, sei já bem, o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir a tua voz, a espera e a memória, o horror de viver no sucessivo.
É o amor com as suas mitologias, com as suas pequenas magias inúteis.
Há uma esquina por onde não me atrevo a passar.
Já me cercam os exércitos, as hordas.
(Este quarto é irreal; ela não o viu.)
O nome de uma mulher denuncia-me.
Dói-me uma mulher em todo o corpo



 
domenica, giugno 07, 2009

apagar as velas
ao voltar
vê-las acesas

rodrigo garcia lopes



 
sabato, giugno 06, 2009
"No osso da fala dos loucos têm lírios." Manoel de Barros

 
venerdì, giugno 05, 2009
A todo momento o vejo
Teu corpo, a única ilha no oceano do meu desejo.
Manuel Bandeira


 
giovedì, giugno 04, 2009
"Viagem como vida, Vida como viagem." Alice Ruiz

 
mercoledì, giugno 03, 2009
"Cada qual é o mais distante de si mesmo." Nietzsche

 
martedì, giugno 02, 2009
"Eu sou mansa mas minha função de viver é feroz." Clarice Lispector

 
domenica, maggio 31, 2009

não diferencio os cogumelos
venenosos dos sadios
os inços das ervas curativas.
como descobrir
o que mata
sem morrer um pouco por vez?

Fabrício Carpinejar

* o destino?



 
sabato, maggio 30, 2009

"Não te quero só para mim nem poderia. Quero-te para ti mesmo e para tua própria vida. Quanto mais fores o que quiseres, mais serás o que eu queria!"

Luiz Poeta



 
giovedì, maggio 28, 2009

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.

Hilda Hilst, in Alcoólicas



 
mercoledì, maggio 27, 2009

É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade, in Poema da necessidade



 
martedì, maggio 26, 2009

"Meu coração, inundado
Pela luz do teu olhar,
Dorme quieto como um lírio,
Banhado pelo luar."

Florbela Espanca



 
lunedì, maggio 25, 2009

"Há um menino, há um moleque
morando sempre no meu coração.
Toda vez que o adulto balança
ele vem pra me dar a mão.

E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor."

Milton Nascimento & Fernando Brant



 
sabato, maggio 23, 2009
"A água da minha memória devora todos os reflexos."  Cecilia Meireles

 
venerdì, maggio 22, 2009

Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.
Mário Quintana

* intrigante ainda quando vem de um ex. o msn ainda nos une, mesmo depois de alguns anos.



 
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